segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Irmão

Rola uma vírgula, meu primo-irmão...
Já que o futuro resolveu a um de nós entalar feito uma sardinha.
Corre uma lágrima esquisita, corre o carro, corre o risco - nossa lida.
Pairadas ficaram as lembranças de nossos clubes.

Cabe um espaço em branco, meu irmão...
Os idos que não vivemos e o virá que não vai estalar.
Teus dois meses a menos que os meus não serão esquecidos,
Sei que foram vividos tão, ou melhor, intensamente que os meus a mais.

Vale uma alegria, pequeno...
Tuas tristezas agora são vagas, e estão nos corações dos outros.
A incrível coragem que tinhas se ungiu, enfim, a um tipo de paz.
Eu guardo o passado seu e jogo fora os conselhos que um dia lhe dei.

É irmão, são as mãos da fatalidade que gostam de odiar.
Nunca foram placas, deuses, curvas, freios ou traumas...
A culpa não é de ninguém em especial.
Eu quero me esquecer da última vez em que te vi.


[P/ C. Ely (08/1987-10/2010)]

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