sábado, 17 de março de 2012

Contorno Sujo

O pássaro só consegue voar porque o céu não cai

E, mesmo assim:

Os homens continuam a correr;

Frenéticos,

Vão atrás de todos os desejos desse mundo

Sem procurar o sentimento e o sentido de verdade.

Não é um ermitão quem habita a caverna de Platão

Foram os tolos com corpos esculturais de moldes gregos

Macacos em seio de falta que metem os pés pelas mãos

Bípedes,

Cada vez mais solitários e prometidos a um futuro prostituído

São estes os homens que prendem as asas do conceito de liberdade

Sem destino certo, oprimidos

Criadores de inúmeros e infinitos céus

Que nunca poderão usar sem ter titânio e computadores

Homens cavernosos que no voo habitam as dores.



A.A>

sexta-feira, 16 de março de 2012

Ritual de trâmites tortuosos

Jesus foi preso a uma cruz; um papa se calou.

Monet pintou o céu; algum deus comprou.

Rousseau explicou o homem; a sociedade usurpou.

Freud olhou para a razão; o ego visionou.

Galileu provou da laranja; O fogo flambou.

Hemingway viveu histórias; a memória o matou.

Bukowski foi um marginal; Sartre elogiou.

Adão caiu do pé de uma árvore; o diabo se aproveitou...

O mundo continua, apesar de toda a farsa.

Ninguém é indispensável.

Somos todos vistos pelos olhos de outrora.

Seguramos um molho de chaves para muitas portas fechadas.

A perfeição mora aonde não se existe lugar.



A.A>

sexta-feira, 9 de março de 2012

Ela corre em direção à tempestade de idiotas

Indiferente à crença

acredite:

que há ou não há um elemento de salvação.

Use seus bolsos para guardar a verdade

Ouça a voz dos outros:

importa o que dizem, não quem diz

E nada ficará acima de tal substância

o teu pertence é superficial

Uma parca passagem

sorria:

a eternidade espera o nosso modo de vida.



A.A>

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O nosso âmbito intrínseco de toda ânsia natural

Não compreendo

O giro da terra

Em torno de si.

Sinto pena do cansaço que isso deve ocasionar.

Não gosto de girar

Feito tonto;

Peão ativo

Que para.

Porque a força acaba.

Tudo vira nada.

A antítese das coisas,

É o único problema.

Que faz sentido.

Já que a terra quer rodopiar,

Rápida!

Sem enjoo,

Embebedada e latente dela em si,

E nós aqui.

Nela.

Terra.

Feita d’água.

Falsa.

Cumplicidade eterna.



A.A>

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Respire, respeite.

Se o ar à minha volta
É tão
Autodestrutivo
É de expirar que eu vivo.
Culpo os outros quando me destruo,
E a culpa é sua
Se me falta ar.

Não penso que eu possa ser perdoado.
(Uma nova chance para se errar).
O ar impuro fede quando climatizado,
O que se renova,
Já foi velho,
Usado,
Morto ou sem nome
- novidade.

A questão é que
Não há nada sobrando,
Entre o ar que se tem
Entre o ar que se deveria ter.

Entre.
Feche a porta.
Respire, respeite.
Já passamos por isso.





A.A>