segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Presa em Teia de Aranha

Não espere por nada
Pois o destino é invenção
Criada pelos acidentes que se parecem
E que, de algum modo, se completam
Nos dando a ilusão de um resultado artesanal
Semelhante a perfeita teia da aranha
Pronta a prender
Todo o inseto vagaroso
Fazendo vibrar
O fio que leva ao centro
Tornando essencial e útil
O que noutras circunstâncias
Serviria apenas para separar
A vaga ideia de fazer sentido

A.A>

Lamento escrever o que não pode ser descrito


Outro retardo tardio
lembra retrato de quem não viu
acanhando riso noite a dentro
se referindo a qualquer outro dia
como se não bastasse esmurrar a ousadia dessa era
pros lados de vis melancolias -  modernas.
Mas, quem foi que dera o tiro de largada?
- Que som ingrato!
Em tom tão baixo
parece o porco – a roncar.
acima d’água o barco – a velejar
noutros amores os lábios – se beijaram
a coragem crua – a duelar
ousando se vestir tão nua
na trama de ceder ao instinto
de tal mente incessante
potencialmente capaz de cambalear o corpo
faz da loucura algo sem igual
e o normal vira morada
e toda a moral sugestão
sujeita a disparar um novo golpe no tambor
- Perfeita arma que jamais se trava!
e em frente à mira certa
não há nenhuma ressalva
ao soar do estrondo não se escapa
em vã farsa é certeira a ação ferida.

A.A>

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Sofá

Nada poderia ser dito
Se eu tivesse deixado a cabeça no lugar
evaporando feito fumaça
no encosto do sofá acinzentado
E
Caso eu olhasse nos olhos dela
Não haveria outra história a ser contada
mesmo que eu soubesse as palavras mais corretas
E
supondo que ela quisesse ouvir
sobre meus desejos imprevisíveis
ou qualquer outra coisa que estremecesse
Não faria mal algum ser interrompido
Já me sentiria longe o bastante de toda a minha solidão.

A.A>

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Niihil

A vida não vai se repetir
Se repetir não será vida
Que deveria ter sido verdadeiramente concebida
Não passará de uma brincadeira de mau gosto
Na hora errada
De lugar nenhum
Coisa alguma
De ninguém

A vida é sua?
Foi você quem escolheu ser o que quer que seja?
Cheio de coisas, contas, cansaços e casacos
Amenizando o vazio
Fazendo a mesma coisa
Todo o tempo
Todos os dias
Acreditando na eternidade (?).


-Se deus tiver boca ele ri!

A.A>

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Melancholia (Mélaskholè)

Você não sente nada?
Como se cada gota de prazer tivesse sido drenada de sua vida
Amanhãs como sinônimos de desesperos
Ou qualquer outra coisa inútil                                                                                           
De repente você se vê recluso
Quase como que satisfeito por não servir a nada
Mesmo que batam à sua janela
Exigindo satisfações sobre o que deixou de fazer
Para não fazer
Enquanto poderia ter feito
Faz com a imaginação
Sem força de vontade
Abominando a realidade que cai em volta
Você acaba culpando o ranger das portas da casa?
Procurando antipissicóticos e desculpas cada vez mais fortes
Muitas vezes sem nem mesmo saber ao certo se é noite ou dia
Se faz chuva ou tem sol
Você sente um terrível frio que ataca os ossos?
Praticamente só de pensar em ser por ser
Mais um
Cansado de promessas
Cheio de dívidas
Sem dúvidas
Você é daqueles que se esguia da raiva e se entrega à melancolia?
Esperando que alguém lhe diga logo
A hora da morte
Sendo que ela já aconteceu
Agora mesmo.



 A.A>