quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O passo: Oo BURACO!

O concreto bate em torno da prosa,
soltando migalhas esponjosas

Nessa loucura toda,
as galinhas se divertem

Em prol de nada
Nada em círculos um peixe só

Pois fora das redes não somos cardumes,
Circunstancialmente regidos pelo senso em comum

Um incomodo.

Sempre seremos uma farsa se não nos acompanharmos sós

Ninhos e soldados de plástico.
Em sentido àquele destino ruborizado

idealizado.

Não há via direta!
nem curvas,

Somente a mente e pouco de ar de mentira.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Ritmado

Eu vejo os dias começarem
Primeiro passo: abrir tais olhos entediados
Segundo passo: dar um passo cansado,
Em direção de dirigir meus movimentos

No meio de toda essa simplicidade,
Às vezes me pego num pensamento confuso:
“Fazer isso”, “fazer aquilo”, “caminhar até lá?”
O que devo priorizar nessa luta diária?

Ainda não aprendi a ceder à vez,
Mas faço aquilo que me agrada,
E o que desagrada meu pobre espírito
Faço rapidamente, com um jeitinho único
Para que não seja necessário refazer

Ao fim de muitas tarefas cotidianas,
Encontro a decepção – sei que é natural.
Mas a realização quase sempre também me acha.
E no fim, não sou um simples acaso.
Os dias é que me são fenômenos ocasionais.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Senhora Clemência

Procurando tais linhas em branco
Às vezes retratado como antagonista
Que vive à custa de entender o que o outro faz;
E que não se importa com o futuro,
‘Ele vive chateado’, em seu próprio bolso
‘Ele pensa ser iluminado’, mas vive em um quarto escuro
Só que não é bem assim Senhora Clemência.

Todos estes sentimentos infortúnios: são irracionais.
Até mesmo a mais bela flor murcha em determinada estação,
Os camarões torrão no verão e desfilam pelas praias.
E continuamos a girar incompreendidos em volta das cabeças uns dos outros.

E os poetas vivem no limbo,
Arrefecendo a terra e aquecendo os infernos pessoais
Alguns menos sábios, entre esses humanistas
Vez em quando pregam a igualdade nesse tempo de diferença banal
E é bem assim Senhora Clemência.

Essa é a maneira que os estereótipos encontraram para parecem justos
O cais livre de piratas e um céu azul
Fingindo que essa narrativa não tem fim
Sendo que toda articulação se desgasta

A hipocrisia que nos abate em diversos tons de cinza
Espera com litros de bebidas caras nas mãos,
Inaugurando cordéis de derrotas.
É mais ou menos assim Senhora Clemência
O mundo é menos do que eu disse e apenas mais do que virá.

sábado, 16 de janeiro de 2010

A cura

Escreva seu nome em água no quadro negro.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Um dia inteiro pensando como “Cruise”

Faz chuva, fez sol
Em vez, tanto faz
Se o calor é igual
O resto muda dissonante

Eu quero por o meu torpor no teu caminho
Em qualquer canto da casa
Ninguém mais
A não ser o narcisismo de espelhos

Shows?
Vamos a um concerto desgraçado
Vou cantar:
- Eu te odeio!
Não pedir mais nada - só riso
E o resto de toda a vida que nem sei se preciso esperar.
***

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O fim

O mais lento, o mais leve e solucionável
O enjôo, o stress e o questionável,
São variáveis notas subliminares escaldantes e diatônicas;
Pois o fim, em sua maioria, não é lamentado,
Apenas um dos fins quando chega é invisível,
Se o fim é o novo começo de volta metafísico,
Outrora doce ou apenas razoável,
O fim é a única solução banal.

Os finais nascem de meios,
Acalantos, etapas e tapas
Sangue, suor, lamentos, tormentos e perspectivas;
É no fim que o cigarro tem gosto,
É com o fim que a culpa é banida,
Apesar de começos trazerem raros desgostos,
Depois de projeto feito repensamos o esboço.

Parece injusto,
Mas não existem mártires vivendo.
Só assim o escrúpulo é cabível de sofrimento.
Tortuosas são as estrofes finais,
Pois o fim não está para ser descrito
Os fins são apócrifos que começam agora.

O final do mês, do ano ou de uma vida
É injusto quando somente terminado,
E quando não muito bem aproveitado;
Pois o fim é inútil,
Não é múltiplo de nada.
O passado excede de falência em sua existência,
Enquanto o futuro flutua feito um fantasma.

O fim apenas nasce
E continua a morrer todos os dias,
Calcado na meia-noite inventada;
Às vezes o rastro é de alegria;
(mas para haver o certo se criou o errado)
É também sorrateiro e injusto para alguns que não merecem
Pelas tramas que crescem e encolhem,
Misericórdia e arrependimento;
Pois o fim:
Inventou a desculpa mais sincera para recomeçar,
Ou desistir.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Decadência

Essência de época, aguçada pela angústia
Jurisprudência cética, justiça nada justa
Parnasianismo desmembrado, perfeito Estado antagônico
É eloqüente o hino dos tradicionais modernos

Nessa via-crúcis cotidiana
Acordamos ancorados em problemas
Sem tempo e fazendo contas
A todo instante estamos distantes de um agora
Pensando no amanhã
Vestindo a moda démodé
Cultuando corpos, desmerecendo sentimentos...

Nós somos anacrônicos!
Evoluímos à custa da necessidade de pairarmos acompanhados,
E deixa que o inferno seja para os pecadores,
Queixa que quem crê será perdoado,
Enquanto demônios riem a toa.

De razoável percepção castradora
Nossos pedaços estão no chão
E não há remorso algum em ser livre
Apenas certo sentido em comemorar tantos erros.

Vamos copular mais um natal,
Feriados e jejuns
E deixa que as nuvens brancas só combinem com sabedoria,
Aqui no inferno, vale mais a ousadia.