sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Diálogos #4

O dissidente não acredita na verdade, já que teoricamente, o sentido de ‘verdadeiro’ é apenas um subterfúgio para a omissão e, principalmente, para a ‘doce’ mentira. A verdade foi criada – e continua sendo – por grupos que defendem os mesmos espectros. Já a mentira: essa não precisa ser reinventada; Todas as mentes (sem exceções) carregam-na feito um instinto de sobrevivência, alguns com maior libido e outros com menor disfarce. Mas ah, gratificante sejam todas as mentiras instintivas e verdades inventadas que nossos antepassados nos deram de presente. Através delas desenvolvemos a capacidade de omitir – algo que é uma benção -, habilidades incríveis com essa simples ação ‘ponto morto’; podemos fechar o labirinto de nossas idéias más desenvolvidas; não demonstrar as cartas da mão através do olhar numa rodada de Texas Hold'em; suportar pessoas insuportáveis – e o mais incrível -; mentir e dizer a verdade, mesmo que a mentira seja verdade e que a verdade seja mentira: para nós mesmos! Esse é o dom magnífico da capacidade de legibilidade de ser um arrogante que se considera superior.

- O céu é azul!
- Não. Às vezes ele também é cinza e, durante a noite ele é quase preto.
- É... Mas é consenso se pensar no céu e imaginar a cor azul.
- Consensos nem sempre são verdades.
- É... Verdades nem sempre são verdades.
- Correto.
- Mas hoje o céu está bem azulado, não concorda?
Omissão ou mentira? Aquele homem que perguntava estava tão acostumado ao consenso que não conseguia olhar para todos os cantos da imensidão do céu e enxergar que a leste dali uma tempestade carregada, de cor nebulosa e cinzenta escura se aproximava.
- É sim. Um lindo dia. Vamos aproveitar o bronzeado.

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