quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Diálogos #2

Caminhos são escolhas. Caminhadas são necessárias. A crendice é uma arma que aponta para os dois lados de quem a carrega – o interesse é a munição e de várias curvaturas se define o soquete no tambor. A política mata para se manter viva e burocraticamente esmaga sem compaixão as cabeças dos menos avisados. O debate (generalizante) gira em torno da esperança de um hábitat melhor, mais rico, com menor déficit crítico; em suma, com o abandono total dos questionamentos. Mas, vivemos sem isso? Conseguimos conviver com questões sem respostas? A Inteligência sobrevive se não houver um prêmio Nobel? A ignorância vive sem seu espelho invertido?
Afinal, princípios básicos não são mais importantes que teoremas?

- ax² + bx + c = 0? É assim?
- Isso!
- E agora?
- Agora é possível calcular o valor de x em determinadas equações fundamentais.
- Uhum... Compreendo. Mas pra quê? Na vida cotidiana não vale muito mais uma mente que entenda como respeitar o próximo e que saiba tomar decisões difíceis por conta própria? – fez-se uma pausa - Enfim, acredito que carregar um punhado de cadernos com fórmulas, as quais em momentos de pressão, julgamento, reflexo e, principalmente, falta de tempo; não servirão para nada!
- Você tem a razão, afinal, todos a têm. Mas esse mundo idealizado na racionalidade precisa ser medido e descomplexado, a ponto de quê as dúvidas se tornem certezas acerca de nossa própria existência suprema ou não. E a matemática, bem como a filosofia, é uma ciência capaz disso. Ou melhor, a matemática, como ciência exata, é capaz de cuidar de áreas que contribuem para o desenvolvimento humano de tal modo que só a própria história pode explicar. Entende?
- Entendo. Mas para mim já chega... Acho que a exatidão das coisas deveria ter um limite – e não falo isso poeticamente. A grande pergunta acerca de todo o sistema de estar vivo ainda não foi feita, e mesmo que tivesse sido feita: a resposta não poderia ser 0 ou x.
- Mas eu posso achar um número como resultado da equação, caso isso lhe reanime.
- Um número?
- É, um número...
- Ótimo, fazemos assim então. No dia em que você achar um número – apenas um – que resolva todos os problemas da humanidade, liga no meu celular, vou esperar sua ligação.
Olhar de indagação.
- Mas espera. Eu não tenho o número do seu telefone.
- Começa sua adivinhação por ai, meu amigo...

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