quarta-feira, 3 de outubro de 2012

#Jenny



Jenny acordou entediada. Em seu quarto fazia um frio acolhedor, e lá fora o dia de sábado era o mais deprimente das últimas semanas. Havia um sol tímido e um vento uivante que vinham pela fresta da janela. Parecia que iria chover; “tanto faz” – pensava. Ela se levantou forçosamente. Seu corpo já estava dolorido de tanto padecer na cama. Há muito tempo Jenny só ponderava em levar o tempo, e tanto fazia se o tempo a levasse. Era uma espécie de depressão, sem fundamento, sem sentimento, tristeza ou pena, sem lágrimas, e, o pior de tudo, sem culpa.
            O banheiro era uma das únicas justificativas para ela se levantar. Esporadicamente, a garota abria a bandeirola e dava uma olhada para o triste jardim coberto pelo mato e algumas flores tristes, mas isso não fazia parte de nenhuma espécie de conjunto de sua rotina. Às vezes ela comia pela manhã – quando sentia fraqueza por ter ficado a noite inteira acordada assistindo ‘Arquivo X’ e imaginando David Duchovny deitado ao lado dela sussurrando coisinhas estranhas e excitantes que a fizessem esquecer um pouco da infelicidade de conviver com o que ela sabia. Jenny estava visivelmente infeliz. Jenny parecia estar morta. A história de Jenny estava mais enterrada que Martha, sua mãe. Seus amores mais perdidos do que Ivan, seu pai. A vida de Jenny parecia um labirinto, perdida em meio a milhares de pensamentos que herdara do passado. Vivendo um presente de sentido análogo consigo mesma, já não acreditava em finais felizes; Ela era realista.





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