domingo, 12 de dezembro de 2010

Conto #6

"Não me pergunte"

Algumas placas servem de indicação e levam a tal lugar. Estranho ninho, cheio de portas e túmulos onde sempre há uma espada a ser afiada por perto. Por de trás de algum umbral rachado é possível até encontrar um sapo dentro de uma queijeira; há também soldados vestidos de cor pink, recitando hinos nacionais misturados com canções infantis enquanto jogam xadrez – sendo o roteador de jogadas não um relógio em formato de despertador, mas sim, uma buzina que se parece com um trabuco. Estes guardas estão alertas. Protegem alguma coisa.

Não me pergunte ‘o que?’.

Nessa abóboda sem nexo, encontram-se também bruxas voando em vassouras que se parecem mais com espanadores de pó. Não há magia. Persistem gritos – todas as velhas descabeladas clamam por um anel. O que se sabe sobre isso é que antes da prática da wicca, tais mulheres passavam horas se embelezando com blush em frente de espelhos quebrados – narcisismo complicado.

Não me pergunte ‘pra que?’.

A grande resposta, que em verdade é pista, é que esse lugar está em uma floresta localizada na América; Ocidente; Planeta Terra; Sistema Solar; Via Láctea; Universo... Disléxico. Incompleto. Infinito. Tomado pelas mãos da fé e da hipocrisia cética: ambas sem rumo.

Não me pergunte ‘por que?’.


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