quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Tudo ao seu lugar

[Uma história 'quase' real]


Lembro-me da segunda vez que fui internado por intoxicação – na verdade me lembro do depois, do durante quase nada. Meu pai foi assinar a papelada necessária para que eu saísse (sob a responsabilidade de qualquer ato meu ser dele).
Eu estava magro, descabelado, com olheiras e com a barba por fazer (nada fora do comum); aparentemente era isso que eu era, mas por dentro, eu nem sabia onde estava.
Sei que a minha mãe me deu um trato (fez até a minha barba), enquanto meu pai ficou tomando chimarrão e assistindo TV na sala (sinceramente é um dos poucos momentos em que eu me lembre – ou me lembram – de ver os dois juntos, convivendo na mesma casa).
Depois de ‘tudo ao seu lugar’, eu parecia bem mais jovem (parecia ter uns 17 anos). Meu pai, que iria viajar logo em seguida, me chamou pra dar uma volta antes. Lembro-me bem, que eu dirigi (eu não estava em condições nem de caminhar) e que, seguia por onde ele pedisse da maneira que eu conseguisse...
E, chegamos ao lugar que ele queria:

Entramos, sentamos nas banquetas amarelas. A frente estava um balcão vermelho e, além (do balcão visível a olho nú da lua) um cara chamado ‘Bigode’. Atrás do ‘Bigode’ havia uma placa que dizia:

“Proibida a venda de bebidas alcoólicas à menores de 18 anos”.

Papai disse:
- Tarde!
Bigode disse:
- Bom seu Ade?
Papai disse:
- Baum.
Nisso ‘Bigode’ pergunta a meu pai:
- Uma Kaiser Ade?
Meu pai responde:
- Bem gelada.
‘Bigode’ olha pra mim e diz:
- E o pro mocinho uma coca?
(‘Bigode’ parecia muito feliz, acho que ele recém tinha recebido ‘o fiado’ de algum bêbado que havia ganho o bolsa família, ou gás, ou sei - lá o quê do governo e, por isso havia o pagado).
Eu disse a primeira coisa que venho à minha cabeça:
- É da pura? É muito caro a bucha? Meu pai vai ter que pagar porque eu não tenho dinheiro...
Nisso, papai intervenho e disse ao ‘Bigode’:
- Dá uma dose de Vodka pra ele e não pergunte mais nada.

A.A>

(30/07/2008)

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