sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O mundo de verdade

Eu vivo num mundo de verdade
Onde os pais não vêem seus filhos crescerem
Onde os filhos não percebem que os pais envelhecem
Onde, apenas a morte estampa o reconhecimento

Estou dentro de um mundo de verdades
Onde se é ajuizado crer em supremacias de diversas estâncias,
Mas acreditar em si mesmo custa à liberdade e traz a loucura.
Onde a posse domina o sonho
Onde o sonho é transistorizado e desligado ao amanhecer
Onde viver é a coisa menos importante.

Vivo num mundo onde os semelhantes não se enxergam,
Onde a diferença tende a ser mascarada para ser vista,
Onde o cruel é apenas uma das definições possíveis para se autobiografar.
Onde pedaços de papel dirigem e coagem mentalidades.
Eu vivo num mundo em que nada, quase nada é de verdade.

Esse mundo não foi criado para mim,
Mas eu estou aqui: pertinente, indeciso e solitário.
Esperando a continuação de meus acertos e falhas nascer no próximo inverno
Esperando esperança descendente congênita.
Viverei acomodado no suor do meu passado,
Até que o mundo desabe e se torne um pedaço de pizza, de sabor ‘mentira’;
Sob a luz dos céus eu vivo
Sobre meus sonhos: permaneço esmagado.

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